Certamente você já deve ter ouvido falar em termos como inclusão, acessibilidade, direitos das pessoas com deficiência ou pessoas com necessidades especiais, vale ressaltar que este segundo termo ao se referir a esses indivíduos não é o mais adequado segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito das Pessoas com Deficiência que estabeleceu que a forma mais correta é Pessoa com Deficiência (PcD) pois o indivíduo não pode ser considerado inferior ou incapaz por apresentar uma ou mais deficiência.

Já faz algum tempo que movimentos e organizações de pais, familiares, deficientes ou simplesmente indivíduos que acreditam em uma sociedade sem preconceitos se mobilizam para terem tais direitos garantidos. Conhecido também como Setembro Verde, o dia 21 ficou estabelecido desde o ano de 1982 que seria o Dia Nacional da Luta dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a cor verde simboliza a esperança e dias melhores para essas pessoas. O dia 21 foi escolhido por ser próximo a chegada da primavera (22 de setembro) e por ser dia da árvore, uma vez que para que uma sociedade seja inclusiva, ela também deve sustentável e isso inclui todos os aspectos. A campanha tem uma pergunta norteadora e que deve servir de reflexão para todos nós não só no mês de setembro mas em todos os dias do ano. A reflexão é: “ o que eu posso fazer para garantir uma sociedade mais inclusiva”?

Partindo dessa reflexão, muito se tem avançado na área tecnológica sobretudo no que diz respeito a tecnologia assistiva que pode ser definida como todo tipo de recurso para tornar a vida do deficiente mais independente e consequentemente mais inclusiva. Mary Pat Radabaugh, diretora do IBM National Support Center for Persons with Disabilities disse em 1993 que “ Para as pessoas sem deficiência, a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis”.

Seguindo essa premissa, listo abaixo alguns softwares, aplicativos, programas, ferramentas e alguns aparatos que auxiliam a pessoa com deficiência na escola, no trabalho e no cotidiano no geral.

 

1-  Sistema Operacional DOSVOX

Criado em 1993 pelo professor universitário Antônio Borges da UFRJ ao receber em sua turma de primeiro período do curso de Informática o aluno Marcelo Pimentel que é cego. Trata-se de um sistema desenvolvido para PC em que se comunica com o usuário através de uma síntese de voz. O usuário deve então acionar as teclas “ Ctrl + Alt + d ” para navegar pelo mesmo. O programa sempre faz a pergunta “ DOSVOX: O QUE VOCÊ DESEJA?” Para acessar ao menu principal deve-se acionar a tecla F1. O sistema dispõe de: teste do teclado, editor de texto, ler texto, impressão, arquivos, discos, jogos, utilitários falados, acesso à rede e internet, multimídia, executar programa do Windows, subdiretórios, ir para outra janela, configuração do DOSVOX, configuração avançada e informação a quem pertence este Dosvox. Ao clicar em uma dessas opções também aparecem um leque de possibilidades tornando o programa bem vasto. Não é necessário utilizar mouse. O DOSVOX pode ser baixado gratuitamente. Sua versão mais atual é a 5.0.

 

2-  Leitor de telas NVDA

Non Visual Desktop Access que em português significa “Acesso Não-Visual ao Ambiente de Trabalho”, o leitor de telas, NVDA foi criado pelo australiano Michael Curran em 2006 quando cursava o segundo ano de Ciência da Computação e é cego. O NVDA é gratuito, licenciado para que qualquer pessoa possa contribuir para o seu aperfeiçoamento. O leitor é de fácil entendimento para programadores iniciantes. A linguagem de programação escolhida foi a Python por ser considerada de fácil aprendizado.

Por se tratar de um leitor, ao passar o mouse em um ícone, por exemplo o Google Chrome, uma síntese de voz fala ao usuário sobre o item em que o cursor passou o mouse. O programa pode ser configurado para outros idiomas e tipos de voz (masculina, feminina, mais grave, mais fina…) ficando a critério do usuário.

O NVDA não precisa necessariamente estar instalado no PC, ele pode ser levado em um pendrive ou CD e utilizado na hora.

 

3-  Hand Talk

Trata-se de um aplicativo criado aqui no Brasil disponível para Android e iOS e tablets. Pode ser baixado gratuitamente e é indicado para quem deseja aprender a Língua Brasileira de Sinais. O app tem um tradutor virtual em 3D chamado Hugo que traduz palavras e frases escrita ou faladas em Língua Portuguesa para a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.

O mês de setembro também é um marco para a comunidade surda pois são comemoradas datas importantes. No dia 26 é celebrado o Dia do Surdo, a data foi escolhida por ser o dia em que foi inaugurado o Instituto Nacional de Educação dos Surdos – INES, instituição de referência para esta comunidade . O INES está localizado no bairro de Laranjeiras no Rio de Janeiro. Em 30 de setembro é comemorado o Dia do profissional Intérprete de LIBRAS.

 

4-  Teclados adaptados

Existem no mercado alguns teclados adaptados para auxiliar a pessoa com deficiência. Um deles é o teclado em Braille que auxilia a pessoa cega que está iniciando no universo digital. Há também o teclado com letras ampliadas e com contraste de cor que auxiliam a pessoa com baixa visão.

Outro teclado bastante utilizado é o com colmeia de acrílico que auxilia a pessoa com mobilidade reduzida. A parte em acrílico com marcação em cada tecla impede que usuários com tal mobilidade não dispare em outra tecla ao mesmo tempo. No mercado estes equipamentos custam em torno de R$ 200 à 300 reais.

 

5-  #pracegover

Criado oficialmente em janeiro de 2012, a ideia foi de uma professora de Braille para se comunicar com seus alunos e amigos cegos no Facebook e que os mesmos pudessem interagir com a rede social. Trata-se de uma descrição de imagens para cegos.

Depois de inserida a imagem, usa-se a hashtag #pracegover, ao lado da mesma e uma descrição sobre ela é feita.

O recurso acaba despertando a curiosidade em usuários videntes (que enxergam) e a reflexão que a interação de cegos neste universo digital é possível.

 

6-  Aplicativo Picto TEA

Trata-se de um aplicativo gratuito que auxilia autistas não – verbais na comunicação. Por meio de pictogramas digitais em vez de cartões, ao clicar em uma das imagens, além do desenho da mesma, aparece a forma como é escrita e a opção de som para que o usuário possa aprender como escrever a palavra e a pronunciá-la.

O  mundo  tecnológico  é  bem  vasto,  além  destes  existem  muitos  outros  recursos  de Tecnologia Assistiva.

E você, como tem contribuído para tornar o mundo mais acessível e inclusivo?

 

Autora:

Aline dos Santos Ribeiro
Coordenadora Pedagógica
Mestre em Diversidade e Inclusão – CMPDI/ UFF
https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=E2665918CB537F384506CC3EB063BE00

 

Fontes:

https://talentoincluir.com.br/candidatos/qual-o-correto-pcd-pne-pessoa-com-necessidade- especial/ acesso em 29 de setembro de 2019.

http://feag.org.br/apae-promove-setembro-verde-pela-inclusao-da-pessoa-com-deficiencia/  acesso 01 de setembro de 2019.

http://www.assistiva.com.br/tassistiva.html 01 de setembro de 2019. http://portal.estacio.br/media/1968/manual_dos_vox.pdf acesso em 12 de setembro de 2019 https://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/hand-talk.html acesso em 23 de setembro de 2019 https://mwpt.com.br/criadora-do-projeto-pracegover-incentiva-descricao-de-imagens-na-web/ acesso em 06 de outubro de 2019

https://play.google.com/store/apps/details?id=ar.com.velociteam.pictoTEA&hl=pt_BR  acesso em 16 de outubro de 2019

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